segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

(7)-REPÚBLICA ROMANA

Cassado o ultimo rei, Tarquínio o Soberbo, a monarquia foi substituída por um governo republicano de caráter aristocrático, e naquele período Roma teve que combater contra Porsena, o rei etrusco que tentava restabelecer a monarquia, e contra as populações latinas que se preocupavam com o crescimento de Roma.
Esta conjuntura provocou alterações entre as duas classes sociais, que como vimos eram os patrizi e os plebeus. De fato, mesmo se o poder legislativo, executivo, judiciário e militar, era exercido por magistraturas diferentes, em substância, estavam sempre nas mãos de cidadãos pertencentes à classe dos patrizi, enquanto os plebeus permaneciam exclusos. Este estado de coisas provocou uma revolta que em seguida se transformou em lutas internas que se prolongaram por vários anos, até que os plebeus obtiveram algumas concessões: o acesso ao cargo de cônsul, a tribuna, a geração de leis escritas e o cancelamento da proibição de casamentos entre as duas classes.
Neste mesmo período, o exército romano depois de rechaçar a invasão dos gauleses, no Norte, preparou-se e obteve novas conquistas na Itália meridional: venceu os Sanniti e ocupou Taranto e a Magna Grécia.
Segundo a tradição, Tarquínio o Soberbo fora cassado pela revolta do nobre Colatino, cuja esposa havia sido ultrajada por Sesto, seu filho. No entanto, as razões eram bem mais profundas: Roma estava crescendo e o rei não conseguia mais fazer frente a todas as suas responsabilidades; seu governo ficara déspota e os patrizi haviam perdido o poder político.
Foi no ano de 510 a.C. que Roma expulsou a dinastia dos Tarquínios, libertando-se, assim, da dominação etrusca. Nascia a republica Consular: eram dois Cônsules que de trinta em trinta dias se alternavam no comando, possuindo, entretanto, o recíproco poder de veto em relação às decisões. Alem disso, estavam também sujeitos ao Senado, com o qual deviam se aconselhar nos casos de maior gravidade. Ao termino do seu mandato, tanto podiam ser confirmados por mais um período, como substituídos. Lucio Giunio Bruto e Lucio Tarquínio Collatino, foram os dois primeiros Cônsules da Republica Romana.
Para os Romanos era uma mudança radical, porque mesmo se os patrizi permaneciam com força política, o poder não estava mais nas mãos de uma única pessoa como havia sido durante a monarquia. Mesmo assim, nem todos apoiavam a mudança, porque Tarquínio o Soberbo, do exílio, continuava utilizando sua riqueza para corromper senadores e amigos influentes para que estes lhes preparassem o retorno. A esse movimento logo adeririam até os filhos do cônsul Lucio Giunio Bruto: Tibério e Tito.
Tempo depois, devido à delação de um servo chamado Vindicio, documentos que comprovavam que os filhos de Lucio Giunio Bruto, Tibério e Tito, estavam entre os que lideravam a revolta, foram entregues ao seu Pai. Este, ao tomar ciência do fato, submeteu o caso ao Senado, entretanto, a decisão foi unânime: para preservar a Republica, e Roma, coube a ele ordenar a morte de todos os lideres da rebelião, e entre eles, seus próprios filhos. Apuradas as demais responsabilidades, até o Cônsul Lucio Tarquínio Collatino foi expurgado, acusado de ter sido demasiadamente condescendente com os conspiradores. Foi substituído por Publio Valério que em pouco tempo se tornou tão popular como Bruto.

(6)-RELIGIÃO

Os cultos às inúmeras divindades eram de responsabilidade dos diversos colegiados sacerdotais, mas o mais importante era aquele dos pontífices, dirigido pelo pontífice máximo que na fase monárquica era o rei, e na imperial o imperador, que se ocupavam com a construção de pontes sobre o rio Tevere, elaboravam o calendário das festividades e redigiam um livro no qual descreviam os eventos históricos chamados “annales”. Havia ainda o colegiado dos “Salii” (assim eram chamados porque nas suas cerimônias dançavam em honra de Marte, o deus da guerra, batendo a ponta de suas lanças sobre os escudos (a lenda dizia que guardavam o escudo de Marte que havia caído sobre a terra), e aquele das “Vestali”, que eram sacerdotisas virgens que se ocupavam do culto a Vesta (deusa do braseiro domestico e símbolo da eternidade de Roma), escolhidas entre as famílias mais importantes desta cidade com a responsabilidade de cuidar do fogo sagrado (correspondia a deusa Héstia dos gregos). Alem destes, havia o dos “Auguri” (seus discípulos observavam o vôo e o canto dos pássaros, além das vísceras dos animais sagrados depois de sacrificados, extraindo destas observações os conselhos pertinentes a todas as decisões importantes) e por fim aquele dos “fezali” - que só se manifestavam em casos de guerras ou alianças).
Entre os deuses, os três mais importantes eram Quirino (como vimos, Rômulo, o fundador de Roma), Marte o deus da guerra e Luperco. Este ultimo era uma divindade dos bosques (um fauno que tinha a responsabilidade de manter os lobos afastados das ovelhas), que era festejado todos os anos no dia 15 de fevereiro. Nessa data os Lupercos se encontravam em uma gruta do Palatino, onde acreditavam que havia morado a loba que amamentara Rômulo e Remo, onde desenvolviam cerimoniais nos quais era sacrificados uma cabra e um cachorro. Nestes eventos se alimentavam com pães feitos pelas vestais.
A pele da cabra sacrificada, retirada e cortada em tiras, era utilizada para fabricar chicotes com os quais, depois do banquete, golpeavam todos os que cruzavam seu caminho. Nesses momentos, enquanto os homens se afastavam para não serem atingidos, as mulheres se aproximavam porque acreditavam que depois de serem chicoteadas engravidariam com mais facilidade.
Relevante, porém, era a importância atribuída as divindades familiares, os “Lari” e os “Penati” que eram os espíritos dos antepassados que continuavam vivendo para proteger suas respectivas famílias. Possuíam em cada lar seus pequeninos templos diante dos quais, todas as manhãs, o chefe da casa colocava alimento e bebida para garantir a prosperidade da casa e das colheitas.
Em verdade as divindades romanas eram inúmeras, e entre elas, muitas se identificavam com os deuses gregos: Vênus – a deusa da beleza, Diana – a deusa da caça, Netuno – o deus do mar, Mercúrio – o mensageiro dos deuses, Apollo – o deus do sol etc. etc.

REPUBLICA ROMANA

(5)-ORDENAÇÃO POLÍTICA

Eram tres as principais instituições governamentais da antiga Roma: o rei, o senado, e os “comizi curiati” (assembléias do povo). O cargo de rei não era hereditário, mas o soberano acumulava o poder religioso - era o sumo sacerdote, detinha o poder militar, era o comandante do exercito, representava o poder judiciário e era o juiz supremo do povo. Contudo, se o rei condenava alguém à morte, o cidadão tinha o direito de apelar à assembléia do povo e submeter-se ao seu juízo.
As funções do governo, incluindo os poderes legislativo e judiciário, eram desenvolvidas com a assistência de duas assembléias: a do senado e dos comizi curiati.
O senado era composto pelos membros da aristocracia escolhidos pelo rei, e era consultado em relação às decisões na esfera de política interna e externa. Além disso, ao senado cabia aprovar ou negar as propostas de leis enviadas pelo soberano, bem como as deliberações dos comizi curiati.
Quando um rei morria, dez senadores escolhiam um novo candidato e o propunham aos comizi curiati. Estes, que eram formados por trinta cúrias (uma cúria era composta por dez cidadãos), reuniam-se em assembléias e a sua decisão era final.
Estas assembléias, que se realizavam no Foro romano, podiam nomear um rei, ratificar ou não uma declaração de guerra, aprovar ou rejeitar propostas de leis, ou ainda ratificar ou não uma condenação à morte.
Duas eram as classes sociais romanas: os “patrizi” - que por serem proprietários de terras ou pessoas abastadas financeiramente, tinham acesso a cargos públicos, e os “plebeus” - que eram agricultores, comerciante e artesãos, que em um segundo momento passaram a ser obrigados a servir o exército, continuando, porem, a não ter acesso aos cargos públicos.
Os plebeus, na proporção em que melhoravam suas condições econômicas, podiam evoluir socialmente. Em verdade, muitos daqueles que serviam aos patrizi, recebiam terras para trabalhar, animais e proteção em troca do serviço militar, e desse modo começavam a evoluir socialmente. Fortalecidos, iniciaram sua luta para obter paridade de direitos.
Ao contrario, os escravos, prisioneiros de guerra, ou plebeus inadimplentes em relação aos seus débitos, continuavam a mercê de seus patrões, uma vez que estes tinham o direito de decidir o que quisessem a respeito da sua vida, inclusive lhe doar a liberdade se o quisessem. Os escravos libertados eram chamados “liberti”.

(4)-ORIGENS DE ROMA

Em relação ao nascimento de Roma, como já foi citado, são mais ricas as lendas do que os conhecimentos reais, porque estes carecem de documentação. Entretanto, em todas elas há sempre um fundo de verdade.
Cerca de 1500 anos a.C., alguns navios que há longo tempo navegavam pelos mares procurando um local para atracar, chegaram a uma terra desconhecida. Cansados, nela desembarcaram. Aqueles homens eram os únicos sobreviventes de uma cidade que depois de ser cercada por dez anos pelos gregos, havia sido por eles saqueada, destruída e queimada: Tróia. Deste modo, quando receberam a ordem para desembarcar, os troianos ficaram felizes porque diante de seus olhos se estendia uma região de aspecto sereno e acolhedor, onde um rio majestoso irrompia no mar mesclando suas tumultuosas águas amareladas com as ondas azuis. A região era o Lazio, o rio era o Tibre - na língua italiana Tevere - e o comandante da frota era Enéias, o príncipe troiano filho de Afrodite e de Anquises.
Enéias, quando percebera que Tróia irreversivelmente ia cair sob o furioso assalto dos gregos, preocupou-se em salvar seu filho e seu pai, carregando este ultimo em suas costas. O pai morrera durante a longa viagem, e seu filho, era Ascânio.
A vida e as atividades de Enéias são maravilhosamente narradas no poema “Eneide”, escrito por Virgilio, assim sendo, aqui são citadas apenas as que dizem respeito à fundação de Roma. Naquele tempo, o Lazio era habitado por vários povos: os Etruscos, os Volsci, os Sabinos, os Equios, os Rútuli e os Ausoni. Entre as populações mais importantes que habitavam um grupo de cidades construídas ao longo das margens do Tevere, havia a dos Latinos, cujo rei, chamado Latino, acolheu os troianos com benevolência e os hospedou. Depois de algum tempo, conhecendo-os, ofereceu sua filha Lavinia a Enéias como esposa, mesmo se esta já havia sido prometida a Turno, o rei dos Rútuli. Este, a seguir de tomar conhecimento do ocorrido, sentindo-se ofendido declarou guerra aos latinos crente que desse modo lavaria sua honra. Foi uma guerra feroz que só se concluiu quando Enéias matou Turno no fim de um longo duelo.
Seguiu-se um longo período de paz, e ao longo dele, Enéias fundou a cidade de “Lavinium” em homenagem a sua esposa, e seu filho Ascânio, já adulto, fundou outra cidade que veio a ser batizada “Albalonga”.
Muitos anos depois da morte de Ascânio, “Numitor” foi nomeado rei de Albalonga, mas seu irmão Amulio, invejoso, querendo o trono para si, com um ardil fez colocar Numitor na prisão, e obrigou a filha deste, Rea Silvia, a se tornar uma sacerdotisa. Alguns anos depois, o deus Marte enviou dois gêmeos para Rea Silvia, e estes receberam o nome de Rômulo e Remo.
Quando o rei Amulio soube que a sacerdotisa havia gerado gêmeos, ordenou que estes fossem raptados e mortos. Mas o servo que recebera a incumbência, sem coragem para executá-la, colocou os irmãos em uma cesta de vime e deixou que as águas do rio Tevere a levassem.
Naquela mesma noite, um velho pastor chamado Fáustolo, que estava sentado diante da sua cabana - quase à margem daquele rio - aguardando que sua esposa Laurência o chamasse para o jantar, viu uma sombra se esgueirar entre as arvores do bosque indo na direção do rio. Curioso, a seguiu, mesmo tendo ciência que correria alguns riscos, porque devido às muitas chuvas que haviam caído, o rio transbordara e havia muitas áreas alagadas. Logo, perplexo, se deu conta que sob uma arvore havia duas crianças que estavam sendo amamentadas por uma grande loba. Não sabendo o que fazer, foi consultar sua esposa. Em seguida os gêmeos foram recolhidos e adotados pelo casal.
Os anos transcorreram, e ao longo deles os gêmeos cresceram e se tornaram jovens fortes e saudáveis. Um pouco selvagens, talvez, mas de bom caráter. Fáustolo os chamou Rômulo e Remo, e os dois, na mesma proporção em que cresciam, se afastavam um pouco mais da cabana a procura de aventuras.
Um dia, depois de terem sido esclarecidos em relação à suas origens, desejando conhecer quem eram os pais, começaram a pesquisar e colher informações. Tempos depois, finalmente descobriram o que acontecera. Indignados, foram a Albalonga. Feita a justiça, seu avo Numitor foi libertado e Amulio castigado.
Terminada a tarefa, e obtendo a anuência do rei avó, voltaram ao local onde haviam crescido e ai fundaram uma cidade. Mas quem, entre os dois, lhe daria o nome? Decidiram resolver o impasse observando o vôo dos pássaros. Quem visse o maior numero escolheria o nome. A sorte favoreceu Rômulo, e este, pegando um arado, traçou um sulco sobre a colina chamada “Palatino” para demarcar as muralhas dentro das quais a cidade de Roma - o nome por ele escolhido – seria construída. Era o dia 21 de abril do ano 753 a.C.
Roma, mal nascia, e já fizera de Remo a sua primeira vitima. Os gêmeos haviam estabelecido que ninguém, por nenhuma razão, poderia ultrapassar o sulco traçado sem a autorização de Rômulo que era o seu autor. Mas Remo, por brincadeira, o ultrapassou e rindo disse ao irmão: olha como foi fácil invadir Roma! Rômulo, irado, brandiu a espada e o matou dizendo: quem quer que seja que ofenda o nome de Roma tem que morrer.
Depois de criar a cidade, entretanto, havia necessidade de encontrar pessoas para habitá-la, e com esta finalidade, Rômulo convidou os pastores das zonas adjacentes... mas entre eles não havia mulheres. Resolveu então organizar uma festa e convidar os sabinos, desde que estes trouxessem esposas e as filhas. Durante a festa, entre cantos e danças, no momento em que o sinal foi dado, os jovens pastores romanos, armados de punhais, raptaram as sabinas e afugentaram os homens. Estes, porem, liderados por Tizio Tazio, rei das tribos sabinas dos Curiti, se prepararam e voltaram para libertar suas mulheres e se vingarem.

Na cidade de Roma, na Praça “della Sinhoria”, está exposto um dos trabalhos mais famosos de Jean de Boulogne: uma escultura em mármore com 4,10 metros de altura representando o rapto das Sabinas.
Uma das moças raptadas, chamada Tarpeía, vendo-os chegarem, as escondidas abriu uma das portas da cidade, mas pagou seu gesto com a morte porque acabou sendo esmagada pelos escudos romanos. Gerações depois, o nome Tarpeía foi dado ao rochedo de onde os criminosos romanos eram precipitados.
Adentradas as muralhas, os sabinos lançaram-se contra os guerreiros romanos, mas quando a batalha esquentou, as mulheres intervieram e fizeram com que as partes selassem um armistício. Muitas delas já se haviam afeiçoado aos esposos romanos, e não desejavam que a contenda continuasse porque se de um lado havia os esposos, do outro havia pais e irmãos. A conclusão foi que Rômulo e Tito Tazio reinaram junto sobre a cidade, e os sabinos e os romanos se fundiram em um só povo. Os romanos ganharam o apelido de “Quiriti” - uma derivação do nome “Curiti”, que era o das tribos de Tito Tazio. Rômulo governou a cidade sabiamente, mas um dia, durante um temporal, foi levado pelo deus Marte e desapareceu no céu.
Sob o governo de Túlio Hostílio - segundo a tradição o terceiro rei de Roma – foi deflagrada uma guerra entre Roma e Albalonga. Entretanto, para evitar derramamento de sangue, as partes acordaram que cada lado nomearia tres guerreiros para os representar. Os romanos escolheram tres irmãos chamados “Orazi”, e os albalonga outros tres irmãos chamados “Curiazi”. Depois de algum tempo a peleja era desfavorável aos romanos, porque dois deles haviam morrido enquanto do outro lado havia dois feridos. O soldado romano, percebendo suas limitadas chances, recorreu a um ardil: fingiu fugir e, quando foi alcançado pelo mais veloz dos Curiazi, logicamente o que permanecera incólume, o enfrentou e matou. Em seguida chegou um dos feridos, o que se encontrava em melhores condições, porem, por estar debilitado, foi facilmente vencido. O terceiro, por estar muito ferido, teve o mesmo fim. A conseqüência foi que a cidade de Albalonga, e todo o seu território, passou a ser dominada por Roma.
De acordo com os historiadores, entretanto, as cidades que se espalharam nas sete colinas entre o IX e o VIII século a.C. (Roma foi erguida sobre sete colinas), se transformaram em uma instalação urbana que escolheu a monarquia como forma de governo, e esta se manteve até 509 a.C.
Deposto o ultimo rei, com a intervenção sucessiva dos Cumani e Latini, aliada à maturação, no ambiente aristocráticos romano, de uma aversão progressiva em relação à instituição monárquica. Esta foi abolida e foi instituído o regime republicano.
Entre o VIII e o I século a.C., para se defender da invasão etrusca, a cidade do Palatino, ampliada e aguerrida desde a invasão precedente, fundiu-se com as demais: Aventino, Esquilino, Celio, Viminale Quirinale e Capitolino. Desta fusão, da qual permanece como lembrança a festa religiosa de “Septimontium” para sublinhar o caráter religioso da união, e com a anexação das demais populações Sabinas, Roma se fortaleceu.
Segundo a tradição, Roma foi governada por sete reis até o ano 509 a.C. (provavelmente foram mais do que sete), e destes, a origem dos primeiros quatro foi Latino-Sabina e dos demais, Etrusca.
Morto Rômulo durante um temporal - os romanos acreditaram que havia subido ao céu levado pelo deus Marte - passou a ser cultuado com o nome de Quirino.

A loba amamentando Rômulo e Remo
Os reis:
· Rômulo, o fundador de Roma.
· A Numa Pompilio são atribuídas à introdução das primeiras instituições religiosas, a reforma do calendário com o ano de 12 meses e 365 dias e a ocupação da fortaleza etrusca situada no Janículo - uma das sete colinas de Roma à direita do Tevere.
· A Túlio Hostílio são atribuídas as primeiras ações militares: a conquista de Albalonga, a vitória dos Orazi (os tres irmãos romanos) e a expansão através da conquista das populações limítrofes.
· A Anco Marcio é atribuída à conquista da cidade de Ostia, perto da foz do Tevere, através da qual Roma conquistou o acesso ao mar, e através disso, o contato com os etruscos, cartaginense e gregos.
· Tarquínio Prisco foi o primeiro rei de origem etrusca. Mandou construir o Circo Massimo, o templo de Zeus e Capitolino, e a Cloaca Máxima. Na área administrativa aumentou o número de senadores de 100 para 200, admitindo ainda o acesso ao cargo também por méritos pessoais, quando até então era exclusivo aos nobres por nascimento.
· Sérvio Tullio, o segundo rei etrusco, expandiu ulteriormente o domínio de Roma para o sul, elaborou uma nova constituição a partir de um censo, e elevou para 300 o número de senadores.
· Tarquínio o soberbo, terceiro e ultimo rei etrusco de Roma, foi um rei déspota e cruel. Suspendeu a constituição e governou arbitrariamente utilizando todos os métodos escusos que necessitou para seus fins.
Segundo a tradição, o último rei, perseguido pelos romanos, pediu ajuda a Lucumone di Chiusi, Porsena, que por sua vez foi vencido pelos heróis Orazio Coclite e Muzio Scevola. Contudo, segundo Tácito, foi o próprio Porsena a perseguir Tarquínio o soberbo. Com o afastamento de Tarquínio, tomou corpo o conceito republicano.
Porsena, depois de ter sido vencido por Orazio Coclite, juntou forças e assediou a cidade de Roma por tanto tempo que ela já não tinha mais como resistir. Então, um jovem romano chamado Caio Muzio, vestido como um guerreiro etrusco, de noite esgueirou-se no acampamento inimigo decidido a matar o rei Porsena. Mas, por ter entrado na tenda errada, matou um de seus oficiais. Preso e conduzido diante de Porsena, corajosamente colocou a mão direita dentro de um braseiro e disse “Queria te matar para salvar Roma, mas como a minha mão errou o alvo, a castigo, queimando-a”. Mas lembre-se, rei, eu sou o primeiro dos trezentos romanos que juraram repetir o meu feito se o precedente falhar. Porsena, maravilhado com a coragem do jovem romano, desfez o assedio e levou suas tropas embora. Caio Muzio, dito Scevola, que significa canhoto, até hoje é considerado um herói.

(3)-ETRUSCOS

A civilização etrusca foi o fruto da miscigenação de “estrangeiros” com a pré-existente cultura vilanoviana na região que se estende entre o rio Tevere e o Arno. Essencialmente urbana, organizou-se em cidades estado - Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veios, Tarquina etc. - que, com escopos religiosos e econômicos, formaram uma liga a qual aderiram doze cidades (dodecapolis). Cada uma destas cidades era governada por um rei -chamado lucumoni - e magistrados que eram eleitos entre os membros da casta aristocrática.
Na sua primeira expansão, século VIII –VI a.C., os etruscos começaram a enfrentar os gregos e os cartagineses no controle das rotas marítimas, seja no mar Tirreno como no Adriático, e a estender seu domínio desde a planície paduana até a Campânia, fundando centros como Bolonha, Mantova, Piacenza, Pesaro, Rimini, Ravenna, chegando até Roma, que a tradição afirma que foi governada por reis etruscos entre 616 a 509 a.C.
A autonomia de Roma, conseqüentemente o seu crescimento como potencia, coincide com a decadência etrusca, que se acelerou depois que seu exercito foi destruído em Cuma, 747 a.C., por obra dos gregos de Siracusa. Logo depois perderam a Campânia por obra dos sanniti, enquanto os gauleses invadiam a planície paduana.
A partir da destruição de Veios, que era uma poderosa cidade etrusca que se opunha aos romanos, que havia se consolidado em 395 a.C., Roma se expandiu e tomou posse de toda a Etruria.
A dificuldade de estabelecer com precisão quem eram os etruscos que se fundiram geneticamente com os vilanovianos, reside no fato que estes não deixaram nada por escrito, e a sua língua, que utilizava um alfabeto similar ao grego, decifrada com a ajuda de textos curtíssimos na sua maioria sepulcrais, não ofereceu nenhuma indicação de valia.
Sabe-se que a determinados sacerdotes etruscos, os “ arúspices”, cuja fama permaneceu viva mesmo na idade romana, era confiada a responsabilidade de prever o futuro e compreender a vontade dos deuses analisando as vísceras dos animais que para isso eram sacrificados, especialmente o fígado.
O culto mais importante dos etruscos era o dos mortos, e isso é comprovado pelas numerosas necrópoles e tumbas espalhadas pela Toscana e no Lazio: Convencidos que o defunto conservava, além da sua individualidade, o conjunto de seus restos mortais, conceberam um sepulcro que imitava uma habitação subterrânea que era decorado com camas, mesas, utensílios e pinturas.

Tumba etrusca

A sociedade era formada por “nobres” que descendiam dos primeiros dominadores, e “servos”, que eram os descendentes das populações preexistentes à sua invasão (os Aryas e a sua filosofia de castas). Havia escravos aos quais eram atribuídos os trabalhos mais pesados, e outros semilivres que, por seus méritos, podiam levar uma vida melhor e até se elevar socialmente.
Os “estrangeiros” que invadiram a região que se estende entre os dois rios citados (para melhor entendimento, as terras entre Roma e Firenze que são banhadas pelo Mar Mediterrâneo), de acordo com a história, aportaram bem antes do VIII séc. a.C., ou seja, entre 3.000 a 2.500 a.C. Eram os descendentes dos Aryas, talvez a primeira migração daquela gente que veio a ser conhecida mais tarde como os povos indo-europeus. Mas vindos de onde? A sua língua, fruto da convivência entre os egípcios e os tracios, era originalmente incompleta no sentido literário, e, por serem a frutificação tardia da enxertia divina no Planeta Terra (feita com o aporte dos espíritos de Capela), traziam no imo da sua alma a certeza da não morte. Um legado trazido da sua terra distante, concepção que se manifestou pela primeira vez entre os Nearderthais, e continuou com as raças que os sucederam, passando pelos egípcios e demais civilizações da região, refletindo-se ainda em todos os demais povos que para preservar o corpo dos mortos o mumificavam, ou que desenvolveram os rituais que deram origem a todas as formas de sepultamento hoje conhecido.

(2)-COLÓNIAS DA MAGNA GRÉCIA

Como demonstram as cerâmicas e demais materiais encontrados durante as escavações, os gregos já freqüentavam os portos italianos na idade micenea, ou seja, entre os séculos XVI e XI a.C., enquanto na primeira metade do século VIII a.C., os calcidenses – península grega, hoje da Turquia, entre os golfos de Salonica e Orfano - se instalavam na ilha de Ischia, iniciando deste modo a colonização grega na Itália.
Os calcidenses fundaram depois Cuma, Nápoles, Reggio, Catania e Zancle, enquanto os corintos fundaram Selinunte e Siracusa, os rodienses Gela e Agrigento e os archei da Acádia Sibari, Metaponto e Crotona.
Taranto, foi à única colônia fundada pelos gregos que haviam migrado de Esparta. Esparta, cidade da Grécia antiga ás margens do Eurotas, fundada pelos Dórios, povo que invadiu a Grécia no séc. XII a. C.
No século VI a.C. iniciaram as lutas entre as cidades. Siri foi destruída e Crotona não conseguiu submeter Locri. Entretanto, ao redor do ano 510 a.C., houve uma guerra entre Sibari e Crotona que terminou com a destruição da primeira.
Em meados do V século a.C., através de uma iniciativa dos atenienses, foi fundada, na área da antiga Sibari, a colônia dos Turi, os tarantinos.
Nos últimos anos do século V, Crotona e Turi, como herdeiros de Sibari, além de Caulonia e Metaponto, aderiram ao acordo “italiota” para se defender dos ataques dos Lucanos e de Dionigi I, dito o tirano de Siracusa. A esta aliança, em seguida aderiu Reggio, enquanto Locri e Taranto se posicionaram do lado do tirano.
Dionigi I, no ano de 389 a.C., venceu o exercito da aliança italiota, destruiu Reggio e forçou o grupo a aceitar o controle de Taranto. Porem, nos anos seguintes, tiveram que recorrer inúmeras vezes aos soldados mercenários gregos para se defender dos sabelos - grupos de populações dos apeninos, e dos iapigios, região da Itália colonizada pelos gregos.
Depois do domínio tirânico de Agátocle, rei de Siracusa, nos primeiros anos do III século, Taranto pediu a intervenção do rei de Epiro, Pirro II, contra os romanos, porque estes estavam auxiliando Turi contra os Lucani. O resultado deste conflito, que aconteceu entre 280-275 a.C., foi que toda a região teve que se submeter a Roma.
Na idade arcaica, a Magna Grécia constituiu uma das áreas culturalmente mais ativas do mundo grego: no fim do VI século, a conquista da Ásia Menor pelos Persas, produziu um movimento migratório que levou para o ocidente um grande numero de filósofos, intelectuais e artistas, entre os quais Pitágoras e Senofane de Colofone, que se responsabilizou pelo surgimento de escolas filosóficas em Eléia com Parmênides e Zenão, e medicas em Crotona. A magna Grécia teve assim um papel muito importante na transmissão da cultura grega para Roma.

(1) ITÁLIA PRÉ-ROMANA

Com o nome Itália, no III séc. a.C., era indicada somente a região da Calábria que ao sul coincidia com os rios Magro e Rubicão. Em 49 a.C., tornando-se romana também a Gália Cisalpina, foi considerada Itália também a região Norte. A Sicília e a Sardegna, no entanto, só foram agregadas à Itália no III séc. d.C., depois da reforma de Diocleciano.
A pré-história, na Itália, se estendeu por mais tempo do que nas zonas orientais, porque os primeiros documentos que testemunham a civilidade retroagem ao II milênio a.C.
A verdadeira idade histórica teve inicio somente no VIII século.a.C. quando os gregos colonizaram a Itália meridional e no centro-norte floreceu a civilização etrusca.
Entre o VIII e o IV século a.C., chegaram à Itália, vindos da Mesopotâmia e suas circunvizinhanças, os povos indo-europeus, e estes, na Itália, foram chamados “Itálicos”.
As colônias gregas, ao redor do VI século a.C., desencadearam ferozes lutas para conquistar a sua hegemonia, lutas estas que foram posteriormente objeto das atenções da Atenas de Péricles.
A civilização etrusca, na Itália, se manteve independente por quatro séculos, e nesse período desenvolveu uma cultura de elevado nível. A necessidade de se expandir, entretanto, levou os etruscos a enfrentar os gregos e os romanos ao Sul, e os Gauleses ao Norte, e desta forma, de conquista em conquista, a Etruria acabou sendo anexada. Estes fatos aconteceram no período que da pré-história se estendem até ao VIII século. a.C.

Reconhecendo as dedicações ao trabalho, por parte dos espíritos que se haviam localizado na Itália primitiva, então dividida em duas partes importantes, que eram a Gália Cisalpina e a magna Grécia, ao Norte e ao Sul da península, os prepostos e auxiliares de Jesus projetam a fundação de Roma, que se ergueu rapidamente, coroada de lendas numerosas, para desempenhar tão grande papel na evolução do mundo.
Há esse tempo, o vale do Pó era habitado pelos etruscos, que se viam humilhados pelas constantes invasões dos gauleses (os Celtas). De todos os elementos que formaram os ascendentes da Itália moderna, eram eles dos mais esforçados, operosos e inteligentes. Nas regiões da Toscana, possuíam largas industrias de metais, marinha notável, destacado progresso no amanho da terra e, sobretudo, sentimentos evoluídos que os faziam diferentes das coletividades mais próximas. Acreditavam na sobrevivência e ofereciam sacrifícios às almas dos mortos, venerando os deuses cujas disposições, em cada dia, presumiam conhecer através dos fenômenos comuns da natureza.
Atormentados e desgostosos em face das lutas reiteradas com os gauleses, os etruscos decidiram tentar vida nova e, guiados indiretamente pelos mensageiros do invisível, grande parte resolveu fixar-se na Roma do porvir, que, então, nada mais era que um agrupamento de cabanas humildes e desprotegidas.
Defendida naturalmente pelo adensamento constante da população, a cidade mergulhou as suas origens numa corrente profunda de histórias interessantes e maravilhosas, onde as figuras de Enéias, de Réia Silvia, de Rômulo e Remo assumiram papel saliente e singularíssimo.
A verdade porém, é que os etruscos, em grande maioria, edificaram as primeiras organizações da cidade, fundando escolas de trabalho, transportando para aí as experiências mais valiosas dos outros povos, criando uma nova terra com o seu esforço enérgico e decidido. Lá encontraram eles as tribos latinas Ramnenses, Titienses e Lucíenses, congregadas para a edificação comum, das quais assumiram a direção por longos anos, construindo os alicerces das realizações futuras.
Quando Rômulo chegou, seus olhos já contemplaram uma cidade próspera e trabalhadora, onde fez valer a sua enérgica inteligência, mas não faltou à posteridade o gosto de tecer-lhe uma coroa lendária e fantasiosa, chegando-se a afirmar que a sua figura fora arrebatada no carro dos deuses, com destino ao céu.
Fonte: livro “A Caminho da Luz” pelo espírito Emmanuel
e psicografado por Francisco Candido Xavier

As primeiras comunidades humanas surgiram na Itália por volta do fim do Paleolítico. Gradualmente, passaram da caça e do recolhimento para a cultivação da terra, e depois disso, a formas mais estáveis de habitabilidade. Na segunda metade do III milênio a.C. começaram a trabalhar os metais.
No inicio do II milênio a.C., alguns povos se fixaram, ao norte, ao redor dos lagos da Lombardia, e por volta da metade deste milênio, difundiram-se os povos chamados “terramar” nas zonas que hoje são identificadas pelo nome de Modena e Piacenza.
A civilização que mais progredia, a “vilanoviana”, se fez presente ainda no fim deste mesmo milênio, e da região hoje conhecida como Bolonha, chegou até ao Piceno, região na costa do mar Adriático onde hoje se situam as cidades de Ancona, Macerata e Ascoli, construindo vilarejos de cabanas.
A partir do XIV a.C., começaram a se difundir populações de pastores semi-nomades ao longo da cadeia montanhosa dos Apeninos centrais que vieram a ser chamadas “appenninicas”. Nesta epoca, as migrações indo-européias que continuavam chegando do medio-oriente, começaram a forçar as populações que habitavam estas regiões a fugir para a Sicília. Os “itálicos”, então, tomaram posse e se estabeleceram na região centro-sul da península.
Com o nome “itálicos”, os romanos designavam as populações não latinas, ou seja, os Arias ou ainda indo-europeus, com as quais guerrearam, o que veio a caracterizar a fase mais antiga da sua história. Ao longo das guerras púnicas, contudo, os itálicos se associaram a Roma e, depois da vitória, parte deles conseguiu a cidadania romana.
No VIII século a.C., as principais populações da Itália eram as “liguri e veneti”, no norte, “Umbro-Sabelli e Latini”, no centro, “Lapigi, Lucani e Bruzi”, no Sul, “Siculi e Sicani” na Sicília e “Sardani e Liguri” na Sardenha.
Neste período, enquanto a Itália meridional continuava sendo colonizada pelos Gregos, no centro-norte se desenvolvia a civilização Etrusca.